Cristina Kenupp foi contemplada com o 2º lugar por projeto voltado para educação inclusiva
Com o projeto ‘O que os dedos sentem, o coração preenche!’, a professora da Rede Municipal de Ensino de Teresópolis, Cristina Kenupp, foi contemplada com o 2º lugar estadual na categoria ‘Inclusão e Sustentabilidade na Educação’ do Prêmio Educador Transformador 2026, iniciativa do Sebrae, Instituto Significare e Bett Brasil (Feira Educacional). A premiação destaca professores e gestores de instituições de ensino que buscam inovar na Educação.
O projeto de Cristina Kenupp tem como objetivo desenvolver a percepção tátil, a imaginação e o vínculo emocional de crianças com deficiência visual por meio da arte acessível, utilizando o sistema Braile como base para a criação de imagens inspiradas em histórias consagradas e livros de pintura adaptados. A professora explica que na ausência da visão, os demais sentidos tornam-se pontes para o mundo. A sensibilidade tátil, em especial, precisa ser estimulada para que crianças com deficiência visual desenvolvam não apenas a leitura tátil, mas também a imaginação, a expressão artística e a autonomia.
“O que a gente propõe é o estímulo e o fortalecimento do Sistema Braille como modo de escrita e leitura tátil, integrando-o à arte e à literatura infantil. Ao transformar pontos Braille em formas visuais e narrativas, criamos experiências sensoriais que permitem às crianças explorarem histórias e imagens com os dedos e com o coração. No projeto, apresentei livros escritos por alunas da Escola Municipal Vera Pedrosa”, explica Cristina Kenupp, pontuando que a iniciativa tem como público-alvo crianças com deficiência visual, entre 6 e 12 anos, em escolas públicas ou instituições inclusivas.
“Na Educação Inclusiva, cada passo é uma conquista para os alunos, para os professores e para todos que caminham juntos nesse processo de descobertas. Nossa intenção é ampliar o horizonte das crianças e multiplicar suas possibilidades. O resultado vai muito além da sala de aula: é autonomia, confiança e vida em movimento!”, comenta, emocionada, a professora.
Na Escola Municipal Vera Pedrosa, Cristina realiza um trabalho formidável com alunos que possuem deficiência visual, como a Emily, de 8 anos, que cursa o 1º ano. O projeto também está presente nas demais escolas da Rede Municipal que atendem estudantes com deficiência visual e/ou auditiva.
‘O que os dedos sentem, o coração preenche!’
A metodologia usada pela professora no ensino aos alunos com deficiência visual e/ou auditiva inclui atividades lúdicas para reconhecimento dos pontos Braille; seleção de contos infantis com forte apelo visual e emocional; adaptação das imagens para o sistema Braille em relevo; pintura com tintas texturizadas e materiais sensoriais (gel, areia, algodão, etc.); leitura oral das histórias enquanto as crianças exploram as imagens com os dedos e estímulo à criação de narrativas próprias; e mostra dos trabalhos em espaço acessível, com legendas em Braille e audiodescrição, com a participação das famílias e da comunidade escolar.
A professora destaca que o projeto tem como metas o fortalecimento do uso do Braille como ferramenta de leitura e escrita; a ampliação das possibilidades de expressão e aprendizagem para crianças com deficiência visual; e a sensibilização da comunidade escolar sobre a importância da acessibilidade e da inclusão.
Cristina Kenupp é Doutora e Mestre em Educação (Unesa), especialista em Libras, Educação Especial e Psicopedagogia. Professora de Educação Inclusiva na Faetec e itinerante na Prefeitura de Teresópolis, atuando na inclusão de estudantes com surdez, deficiência visual e surdocegueira. Membro do Grupo de Pesquisa em Surdocegueira do Núcleo de Atendimento Educacional para Pessoas com Surdocegueira (GEPES/NAEPS).
Fotos: Jorge Maravilha



